Repblica e cidadania Repblica das letras http://www.centenariorepublica.pt/
Repblica e cidadania Repblica das letras
Resumos

Carlos Nogueira

Nesta comunicação abordaremos as formas e os sentidos de poemas orais, líricos e narrativos, que não só circularam abundantemente em Portugal durante a guerra ultramarina como continuam a fazer parte do património interiorizado de inúmeros portugueses.
 

Teresa Araújo

Não foram poucos os republicanos portugueses que, nos finais do século XIX e nos primeiros anos do seguinte, viram na literatura tradicional um repositório de valores para os novos tempos. Entre eles e na primeira fila, encontra-se um dos primeiros Presidentes do regime de 1910, que também foi autor da primeira grande compilação dos cantos da tradição oral moderna portuguesa - Teófilo Braga. Este estudo analisa os pontos de convergência entre o seu ideário político e o seu interesse pelos textos tradicionais. Nessa medida, reflecte igualmente sobre as motivações e as intenções epocais dos estudos sobre a literatura conservada e transmitida oralmente pelo povo."
 

Rafael Beltrán

La recopilación de cuentos tradicionales o “rondalles” en el País Valenciano o Comunidad Valenciana fue tardía respecto a otras empresas folklóricas peninsulares. Factores socio-políticos, que se remontan al siglo XIX, hacen que el “regionalismo” valenciano, pese a una comunidad de lengua con Cataluña, no tuviera la misma fuerza ni radicalidad en su reivindicación autonomista. Paralelamente, los intentos de recogida y aprecio del folklore tradicional (en especial, musical) se dieron, pero fueron más excepcionales y menos orgánicos que en el Principado. La primera gran re-creación folklórica, en lo que se refiere a la cuentística, se da muy tarde: en los años ’50, a cargo del gran lingüista y folklorista Enric Valor. Sin embargo, en los años ’70 y ’80, gracias a los logros autonómicos y a la posibilidad de impartir en la Escuela el valenciano/catalán oprimido y marginado durante el franquismo, una serie de folkloristas, fundamentalmente maestros, emprenden un trabajo individual, con la voluntad de mantener y recuperar una memoria colectiva agonizante (la de la cuentística), sin más guía que los logros literarios y el ejemplo ético de resistencia y reivindicación nacional de Enric Valor. Ellos han contribuido, sin una teoría política ni una formación literaria determinada, a reivindicar la riqueza folklórica en una comunidad nacional necesitada de arraigo en el pasado identitario. La tradición cuentística valenciana, en un noventa por ciento difundida en catalán (las zonas castellano-hablantes eran muy pocas hasta hace 50 ó 60 años), demuestra la fuerza de una raíces comunes con la tradición catalana, y los vínculos, como ésta, con unas líneas de expresión común hispánicas, románicas y mediterráneas.
 

Giuseppe Di Stefano

Resumo a disponibilizar brevemente
 

Mònica Sales

Resumo a disponibilizar brevemente
 

Carme Oriol

“El pont del diable” és un tipus molt conegut en la tradició catalana. A part de tractar el tema del pacte d’un humà amb el diable, les diverses versions amb què és conegut aquest tipus serveixen per explicar l’origen d’un pont o d’una roca de grans proporcions que sembla que només pot estar en aquell lloc per l’acció d’una força sobrehumana. Tot i que aquest tipus és molt estable i, a primer cop d’ull, presenta poca variació, les versions presenten diferències en el seu desenllaç que unes vegades les acosten al terreny de la rondalla i d’altres al de la llegenda. En qualsevol cas, les versions apareixen publicades en llibres de rondalles i de llegendes i han estat molt utilitzades i divulgades per la seva estreta relació amb llocs molt coneguts del territori. En aquest sentit, els relats serveixen per reforçar la identitat i el coneixement del patrimoni de pobles i ciutats catalanes.
 
 

José Manuel Pedrosa

Presentación y análisis literario y sociohistórico de un corpus numeroso de canciones folclóricas españolas (tradicionalizadas en los siglos XIX y XX) puestas en boca de emigrantes, alusivas a sus destinos (La Habana, Buenos Aires, etc.), a las condiciones del viaje, a la nostalgia de la tierra de origen, etc.
 

Rui Vieira Nery

Até ao seu processo de profissionalização, nas décadas de 1920 e 30, o Fado de Lisboa caracteriza-se por uma prática essencialmente amadora, em que os papéis de criador/intérprete e de espectador são ainda intercambiáveis e em que os poemas cantados traduzem acima de tudo uma expressão partilhada da vivência comunitária da população dos bairros pobres da capital. Muito embora a prática da improvisação poética seja frequente, havendo fadistas conhecidos pelos seus dotes de repentistas, vai-se gerando, em paralelo, um repertório poético tendencialmente fixo que circula em parte por transmissão oral, até pela elevada taxa de analfabetismo que caracteriza a população envolvida, mas que nas últimas décadas do século XIX e nos inícios do XX começa também a ser objecto de fixação e circulação escrita, sobretudo através da imprensa operária, de pequenas editoras orientadas para um público popular, como a Livraria Barateira, ou das recolhas dos primeiros anos do século XX efectuadas nos estudos pioneiros de Alberto Pimentel e Pinto de Carvalho sobre o género. Estes textos tratam em geral das temáticas mais relevantes nesse quotidiano popular, dos rituais do trabalho às festas tradicionais de rua, às devoções religiosas e ao relato da pequena criminalidade local, mas incidem também em grande parte sobre temas de actualidade política e de intervenção social. A ligação ao movimento operário, em particular a partir do último terço do século XIX, inspira numerosos poemas de protesto social, quando não mesmo de agitação e propaganda organizadas, expressando muitas vezes tendências político-ideológicas explícitas que vão do republicanismo radical ao socialismo e ao anarquismo. Os fados de Lisboa e as suas ramificações pelo País acompanham e comentam a evolução política da República e as suas várias etapas, reflectindo quer o desencanto popular em relação às promessas de emancipação social não cumpridas do regime republicano, quer a adesão ou rejeição face a fenómenos fracturantes como o do sidonismo. A participação de Portugal na I Grande Guerra, pelo seu lado, gera uma ampla produção poética que dá testemunho, sucessivamente, do entusiasmo belicista promovido pela propaganda governamental, do choque da realidade brutal das trincheiras e da celebração da paz. Em todas estas circunstâncias são documentos históricos preciosos para a compreensão dos vários matizes da consciência social do povo de Lisboa face a um processo de transformação política com um forte impacto no quotidiano da cidade. A presente comunicação apresenta e reflecte sobre alguns exemplos textuais e musicais desta produção artística que exemplificam um processo de fixação da memória e de prática da cidadania no contexto da Cultura popular urbana da viragem para o século XX.
 

Natália Pires

Vários estudiosos, sobretudo com base na observação do Conto, têm salientado que uma das características da literatura tradicional é a sua função moralizante, sendo um dos veículos privilegiado de transmissão de valores éticos e morais no seio da comunidade. Diferentes autores, tendo-se debruçado, por exemplo, sobre o castigo das mulheres adúlteras e sobre o modo como o adultério é visto pelas personagens masculinas, ressaltaram já alguns valores ético-morais transmitidos pelo Romanceiro. Nesta medida, no nosso estudo, analisaremos as ocorrências das formas Honra/Honrar em romances da tradição oral moderna portuguesa, procurando aferir em que medida os seus contextos de ocorrência implicam valores ético-morais e quais os valores que neles se encontram implícitos.
 

Sandra Boto

Almeida Garrett encerra a “Introdução” ao Livro Segundo do Romanceiro apresentando o plano editorial que concebera para a publicação do romanceiro português, após, segundo o próprio afirma, ter amadurecido o seu projecto de edição da poesia popular portuguesa. Trata-se de um plano editorial de cinco Livros, que nunca logrou terminar (ficou-se, em 1851, pelo segundo tomo do Livro Segundo). Por seu turno, os pressupostos ideológicos que moveram Garrett à concepção deste projecto encaixam, como tantas vezes já foi salientado pelos especialistas (e por ele próprio), na sua visão de arauto da revolução estética romântica. Esta passava, necessariamente, pelo levantamento das raízes históricas de Portugal, com vista à recuperação do sentimento de identidade literária nacional, durante tanto tempo adormecido por via da “colonização” estrangeira. Tal concepção encontra-se explicitada nalguns manuscritos autógrafos pertencentes ao espólio garrettiano Futscher Pereira, onde o eminente poeta desenvolveu, do ponto de vista criativo e estético, mas também a partir de uma perspectiva mais teórica e bibliográfica, as bases desse projecto editorial, onde denota uma fixação pela abordagem romancística de temas característicos e fundadores da nacionalidade portuguesa (frente à castelhana, por exemplo), ao mesmo tempo que dá a conhecer as fontes bibliográficas que considerava fundamentais para levar adiante o seu “Plano de um Romanceiro e Cancioneiro Geral Português para colligir as reliquias da poesia popular” (entenda-se, portuguesa), que pretende, inicialmente, organizar do ponto de vista cronológico dos grandes acontecimentos da História de Portugal. A forma como reorganiza o projecto viria a transferir essa utilização da História de Portugal para os Livros planificados que nunca chegariam a ver o prelo, mas que se encontram esboçados em documentos deste espólio . A presente comunicação visa estudar o modo como esta obsessão pela legitimação do passado identitário transparece neste projecto de levantamento “arqueológico” garrettiano, à luz das anotações que o próprio deixou nos materiais autógrafos mencionados.
 

Arnaldo Saraiva

Resumo a disponibilizar brevemente
 

Ana Valenciano

La pervivencia secular en el ámbito de la nación española de los romances tradicionales de carácter novelesco en paralelo a la paulatina desaparición de los poemas de origen épico o histórico en la tradición oral moderna constituye un hecho ampliamente reconocido por la comunidad de especialistas. El objetivo del trabajo se centra en el estudio del proceso de transformación de los relatos en la memoria colectiva a la luz de dos romances histórico/noticieros ampliamente documentados.
 

José Joaquim Dias Marques

A comunicação tem como base o levantamento das referências a esse tema existentes nas numerosas cartas de Braga ao seu amigo Joaquim de Araújo (conservadas na Biblioteca Marciana, de Veneza). Por elas é possível observar as ideias de Braga sobre a Etnografia e a Literatura Oral e reconstituir um pouco da “pequena história” daquelas disciplinas em Portugal e das relações difíceis entre Braga e os seus pares.